O estudo da relação
literatura/sociedade, tendo em vista noções como "valor” e “ética”, deixa
de ser apenas a de uma reflexão sobre os comportamentos representados na
literatura ou das funções e papéis que as sociedades atribuem ao fazer
literário.Trata-se, além disso, de saber qual o papel, a função que textos
literários se atribuem, como literatura, no universo de relações históricas e
sociais.Por mais familiar que seja seu nome, o narrador não está de fato
presente entre nós, em sua atualidade viva.
Uma das causas desse fenômeno é
obvia :as ações da experiência estão em baixa, e tudo indica que continuaram
caindo até que o seu valor desapareça de todo .A experiência se passa de pessoa
a pessoa é a fonte a que recorrem todos os narradores .E , entre as narrativas
escritas, as melhores são as que menos se das historias orais contadas pelos
inúmeros narradores anônimos.
Pobreza de experiências é apenas
uma parte da grande pobreza que recebeu novamente um rosto, nítido e preciso
como o do mendigo medieval. Pois qual o valor de todo o nosso patrimônio
cultural, se a experiência não mais o vincula a nós? A horrível mixórdia de
estilos e concepções do mundo do século passado mostrou-nos com tanta clareza
aonde esses valores culturais podem nos conduzir, quando a experiência nos é
subtraída, hipócrita ou sorrateiramente, que é hoje em dia uma prova de
honradez confessar nossa pobreza.
Sim, é preferível confessar que essa pobreza de experiência não é mais privada,
mas de toda a humanidade.
Pobreza de experiência :não se deve imaginar que os
homens aspirem a nova experiência. Não,
eles aspiram a um mundo em que possam ostentar tão pura e tão claramente sua
pobreza externa e interna ,que algo de decente possa resultar disso .
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