"... a escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser
lançadas as bases para a formação do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos
os estudos literários, pois, de maneira mais abrangente do que quaisquer
outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas
múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do
mundo em seus vários níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e
conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente -
condição para a plena realidade do ser." 1
"A literatura
infantil torna-se, deste modo, imprescindível. Os professores dos primeiros
anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura pois
esta se constitui em material indispensável, que aflora a criatividade infantil
e desperta as veias artísticas da criança. Nessa faixa etária, os livros de
literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de
caleidoscópio de sentimentos e emoções que favoreçam a proliferação do gosto
pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão" 2
Citações
1 -
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática.
São Paulo: Moderna, 2000.
2 - PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..." In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol. 14.
2 - PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..." In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol. 14.
O
NASCIMENTO DOS QUADRINHOS
Alguns especialistas insistem em afirmar que os primeiros exemplos conhecidos de histórias em quadrinhos foram feitos por homens pré-históricos.
A história em quadrinhos surgiu no
final do século XIX nos Estados Unidos, acompanhando uma série de
transformações sofridas pela imprensa no intuito de atrair mais leitores.No Brasil, os quadrinhos apareceram
pela primeira vez em 1905, através da revista Tico-Tico de Manoel Bonfim e
Renato Castro. Mas foi somente em 1934 que surgiu a indústria de quadrinhos
como ramo da indústria de comunicação de massas. Seu advento deve-se a Adolfo
Aizan, que lança o Suplemento Juvenil, do jornal A Nação. Nele foram lançadas
as histórias de Flash Gordon, Mandrake, Pinduca, entre outras. Mais tarde
surgiu a Editora Brasil América Ltda/EBAL, que passou a publicar as histórias
em quadrinhos em revistas visando o divertimento infantil.
Devido principalmente a sua grande
atração a indústria de quadrinhos desenvolveu-se rapidamente, atraindo o
público infanto-juvenil, que atento permanecia margem dos jornais e revistas
informativas. Na década de 40 e 50, a indústria de quadrinho enfrentou uma
tenaz campanha em todo o país liderada por educadores e intelectuais que
proclamavam sua malignidade moral, social e cultural. Mas, eles logo
compreenderam que o mundo entrava em uma nova fase onde a comunicação visual
ganhava um papel muito significativo. Uma das estratégias utilizadas pela EBAL
para neutralizar o efeito dessa campanha foi à produção de histórias
autenticamente nacionais e a adaptação de obras de literatura para o campo dos
quadrinhos. A partir daí as histórias em quadrinhos passaram a fazer parte da
nossa cultura.
Dentre as produtos nacionais destacam-se as produtos de Maurício de Souza, Ziraldo e de Henfil, criador de Fradinho e Zeferino. Os quadrinhos utiliza-se de uma linguagem direta e dinâmica combinando a imagem com muito movimento e expressão atraindo assim a criança e o jovem. Eles mexem com a visão a imaginação e os sentidos, dando uma sensação de movimento, coisa viva.
As HQ
trabalham com o mito da juventude eterna, eis uma das razões que tais
publicações são feitas para, a princípio, o público infanto-juvenil, o leitor
adulto sempre encontraria algo que lembrasse a uma fase de sua vida uma vez os
personagens não seguem o tempo real. Eco, ao analisar outro mito, o do
super-homem, símbolo e ícone da cultura americana, explica o motivo pelo qual
um personagem não segue o ciclo humano.
Ao
Fantasma, Super-Homem, Mickey Mouse e Pato Donald não é permitido o casamento
ou a procriação, porque isso implicaria o consumo do próprio personagem e ele
precisa ser atemporal. Mas chega um ponto em que não é possível manter tal
prática, é preciso fazer com que os personagens pareçam modernos,
reformulá-los, dando-lhes nova roupagem sem mudar o conteúdo.